O Design Thinking tem características que o aproximam de uma religião mais do que de uma metodologia com validação científica rigorosa. Opera como um conjunto de práticas popularizadas por consultorias e escolas de negócios, estabelecendo-se mais por marketing eficaz e apelo ao status do que por resultados comprovados.
Evidências de que o Design Thinking virou uma religião:
Dogma inquestionável - A premissa de que centrar-se no usuário sempre leva a melhores resultados, com processos padronizados como os 5 passos (Empatizar, Definir, Idealizar, Prototipar, Testar) que são seguidos sem questionamento.
Narrativa de origem mitificada - Histórias idealizadas sobre como surgiu na IDEO/Stanford, com figuras de autoridade como Tim Brown da IDEO, que são tratados como autoridades incontestáveis.
Promessas de transformação - A crença de que o Design Thinking pode resolver qualquer problema complexo, funcionando como solução universal para problemas de qualquer natureza.
Rituais codificados - Workshops com post-its coloridos, protótipos rápidos e exercícios padronizados que seguem formatos quase cerimoniais, mais performáticos que funcionais.
Hierarquia sacerdotal - Consultores certificados que detêm o "conhecimento verdadeiro" e criam uma comunidade de "iniciados" com linguagem própria como "insights", "personas" e "jornada do usuário".
Rejeição à heresia - Quem questiona a eficácia do Design Thinking é visto como alguém que "não entendeu direito", mostrando resistência a questionamentos metodológicos fundamentais.
Esforços missionários - Tentativas de converter organizações tradicionais à nova mentalidade, propagando a "boa nova" do pensamento centrado no usuário.
Reações típicas de um devoto do Design Thinking quando ouve críticas:
Negação imediata
"Você não entendeu corretamente o que é Design Thinking"
Desqualificação do crítico
"Você nunca aplicou o método adequadamente" ou "Precisa ser treinado por um especialista certificado"
Excepcionalização
"Isso que você critica não é o Design Thinking de verdade"
Apelo à autoridade
"Tim Brown/IDEO/Stanford não concorda com essa crítica"
Proteção da pureza doutrinária
"Você está confundindo Design Thinking com design de produtos/UX/etc."
Reinterpretação conveniente
"Na verdade, o Design Thinking sempre reconheceu essa limitação, você que não sabia" ou “Saiu uma versão nova do Design Thinking, feita pelo Design Council”
Foco nos casos “de sucesso”
Citação de casos de sucesso sem considerar contrafactuais ou fracassos
Conversão missionária
"Você precisa experimentar um workshop de verdade para entender"
Apelo emocional
"Design Thinking é sobre empatia e humanização, como você pode ser contra isso?"
Estas reações defensivas são notavelmente semelhantes às respostas de adeptos religiosos quando suas crenças fundamentais são questionadas, revelando o caráter mais dogmático do que científico da adoção do Design Thinking em muitos contextos.
Mas ainda resta uma esperança.
Evidências de que as pessoas estão abandonando a "religião" do Design Thinking
Há várias evidências de que há um movimento crescente de pessoas abandonando ou fortemente criticando o Design Thinking como metodologia quase religiosa:
-
Reconhecimento institucional do declínio - A própria escola d.school de Stanford, que foi instrumental na popularização do Design Thinking, está reformulando seus programas de design influentes e a frase "design thinking" não aparece mais em nenhum material dos programas de graduação ou pós-graduação renovados da instituição. Technologyreview
-
Críticos proeminentes surgiram - Lee Vinsel do Stevens Institute of Technology comparou o Design Thinking a "uma espécie de sífilis" em um artigo amplamente compartilhado, enquanto a designer Natasha Jen apresentou um discurso intitulado "Design Thinking Is Bullshit", e Bruce Nussbaum, um dos primeiros promotores, publicou "Design Thinking Is a Failed Experiment. So What's Next?" ACM Interactions
-
Crítica por perpetuar desigualdades - Críticos argumentam que, ao centralizar designers (principalmente praticantes de design corporativo em agências), o Design Thinking reforçou desigualdades existentes em vez de desafiá-las, situando designers ocidentais - e frequentemente brancos - em um nível superior de trabalho. Technologyreview
-
Resultados questionáveis e "teatro de inovação" - Michael Hendrix, parceiro da IDEO, reconheceu que parte do problema é que muitas pessoas usam a metodologia do Design Thinking de maneiras superficiais, o que ele chama de "teatro de inovação" - empresas que sabem que precisam ser mais criativas, mas cortam caminho e acabam com materiais que apenas parecem inovadores. Fast Company
-
Falta de rigor crítico - Uma das críticas mais válidas é que o Design Thinking "se tornou um monte de palavras da moda sem crítica", carecendo do processo de "crits" (criticar o trabalho dos outros) que ajuda designers a avaliar se algo é bom ou não. Toptal Design Blog
-
Falta de fundamentação intelectual - As críticas ao Design Thinking argumentam que os "design thinkers" de hoje "carecem de habilidade artesanal, carecem de fundamentos intelectuais e não conseguem fazer as coisas" quando vistos a partir das raízes históricas do design. ACM Interactions
-
Conservadorismo fundamental - Alguns críticos argumentam que "o Design Thinking é, em seu núcleo, uma estratégia para preservar e defender o status quo" e "privilegia o designer acima das pessoas que ele serve, limitando a participação no processo de design." Harvard Business Review
-
Perda do brilho - Artigos recentes sugerem que "o Design Thinking perdeu seu brilho - e que nunca deveria ter tido seguidores em primeiro lugar", com críticas descrevendo práticas que soam como "tentativas mal executadas de Design Thinking, e não a coisa real". Insynctraining
-
Mito sem evidências - Críticos como Don Norman argumentam que o Design Thinking é "um mito poderoso... que designers possuem algum processo de pensamento místico e criativo que os coloca acima de todos os outros em suas habilidades de pensamento criativo e inovador. Este mito é absurdo, mas como todos os mitos, tem um certo tom de plausibilidade, embora careça de qualquer evidência." Core77
-
Interesses comerciais por trás do mito - Como Donald Norman explica: "Por que a comunidade de design perpetua este mito? Porque serve bem às consultorias de design. Contrate-nos, dizem eles, e traremos a magia das empresas de design para você, realizando maravilhas em sua empresa morta, engessada e improdutiva. Há valor em afirmar ter uma arma secreta e poderosa." Core77
Estas evidências demonstram que há uma crescente "apostasia" da religião do Design Thinking, com críticos cada vez mais vocais rejeitando seus dogmas e questionando sua eficácia real, comparável a um movimento de pessoas abandonando uma crença religiosa à medida que reconhecem suas limitações e contradições.
